23 DE NOVEMBRO – Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil

Dia 23 de novembro é uma data que marca o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil e Juvenil, doença que não é possível ser evitada, mas que, se diagnosticada precocemente, e aliada a um tratamento de qualidade, pode alcançar até 70% de cura, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA. E é para fazer parte desse índice de cura que a pequena Iasmim Moreira, com apenas três aninhos, luta há mais de um ano, com total apoio da Fundação Sara.

Iasmim é a mais nova de sete filhos. Ela é natural de Couto Magalhaes, distante aproximadamente 200 km de Montes Claros e mais de 400 km da capital mineira. No último ano, a pequena e sua mãe, Deliane, tem vida dividida entre sua cidade de origem e Montes Claros. O motivo? A luta para vencer um neuroblastoma, um tipo de câncer que acomete 7,8 % das crianças e adolescentes com câncer, segundo o INCA.

Iasmim nasceu em de junho de 2012 e, assim como os demais irmãos, repleta de saúde. Em junho de 2014, logo após completar dois aninhos, a tia, que cuidava da pequena enquanto a mãe trabalhava fora, notou um aumento significativo do volume abdominal da pequena. Ela então procurou a Estratégia de Saúde da Família. No exame clínico, o médico notou uma infecção de garganta e suspeitou de um distúrbio intestinal. Medicou e pediu para observar em casa.

A garganta melhorou, mas o volume abdominal permaneceu, acompanhado de desconforto. “A gente levou Iasmim outras vezes no médico, mas a resposta era sempre parecida: virose, distúrbio intestinal e outras coisas. A barriga dela ficou tão inchada que atrapalhava até ela andar”, esclarece a mãe. Na quarta ida no médico, ele pediu um hemograma e um exame de fezes. Resultado: verminose e anemia severa. Mais medicações e nada de melhorar.

Já no terceiro mês de desconforto e com uma situação bem mais avançada, a mãe procurou novamente atendimento médico, e então foi solicitada uma ultrassonografia abdominal. “Eu não tinha dinheiro para pagar o exame e pelo SUS ia demorar muito. Daí o jeito foi esperar, mas ela começou a ter febre alta. A sorte foi que quatro dias depois da última consulta, apareceu uma pediatra para atender na cidade e corri lá pra conseguir uma consulta com ela para ver se descobria o que minha filha tinha”, diz a mãe. A médica encaminhou Iasmim para o hospital de Diamantina, onde pudesse ser internada para realizar os exames. Foram seis dias de internação. Constatou-se então que Iasmim estava com uma massa abdominal. Suspeita: hérnia, inclusive com possibilidade de fazer cirurgia.

Uma das pediatras do hospital que estava investigando o caso, ao ver os exames, associou o resultado ao que aprendeu na Fundação Sara, por meio do grupo de estudos em oncologia pediátrica, que participou em Montes Claros e que é coordenado pela oncopediatra, Dra. Eliana Cavacami. Entrou em contato com a Fundação Sara por telefone, que articulou com a Santa Casa de Montes Claros para que recebesse a pequena.

No final de outubro Iasmim deu entrada na Santa Casa de Montes Claros, com fortes suspeitas de câncer. Foram 45 dias de internação para investigação diagnóstica e início do tratamento com quimioterapia. Já na primeira sessão reduziu significativamente o aumento abdominal. “Durante a internação recebemos visitas da assistente social da Fundação Sara e eu já sabia que era lá que eu ia ficar com minha filha pelo tempo que precisasse enquanto não estivesse no hospital. Sabia também pelas outras mães que estavam lá acompanhando seus filhos, pois uma vai conformando a outra”, diz Deliane. Iasmim teve alta após os primeiros sinais de melhora.

Em novembro de 2014, mãe e filha foram acolhidas na Fundação Sara, onde dividem alegrias e angústias com outras famílias. Inicialmente Iasmim voltava a cada três semanas ao hospital para fazer as sessões de quimioterapia e, após a redução do tumor, passou por cirurgia para retirá-lo. Vieram mais sessões de quimioterapia, encerrando o tratamento em junho de 2015. “Iasmim completou 03 anos de idade e está livre da doença”, celebra a mãe.

Atualmente mãe e filha vêm a Montes Claros apenas para que Iasmim faça acompanhamento mensal, contando com total apoio da Fundação Sara no que precisar, especialmente quando os exames não são cobertos pelo SUS ou não são agilizados há tempo. “Eu tenho um benefício social, que a Fundação Sara me ajudou a conseguir, recebo cesta de alimentos para ter o que comer com minha família quando volto para casa e o suplemento alimentar pra Iasmim também é garantido. Não dá pra imaginar meu último ano sem a Fundação Sara,” diz Deliane, emocionada.

Sobre o Centro de Estudos da Fundação Sara

A história da pequena Iamim é um exemplo claro de que o olhar de um profissional alerta aos sinais e sintomas do câncer infantojuvenil favorece a celeridade do diagnóstico e, consequentemente, as chances de cura. Por isso, em 2010 foi criado o Centro de Estudos Sara Albuquerque Costa – Cesac. “Nós notamos que muitos dos casos que recebíamos, estavam chegando com diagnóstico tardio e com isso, as chances de cura eram muito menores”, diz o presidente da entidade, Álvaro Gaspar Costa. “Foi então que criamos o Cesac e contratamos uma médica e uma enfermeira para atuarem na capacitação de profissionais da saúde, especialmente na Estratégia Saúde da Família, onde a saúde está mais próxima das comunidades”, acrescenta o presidente.

Em cinco anos de atuação, já foram capacitadas as equipes de Saúde da Família de Montes Claros e de outros 17 municípios do Norte de Minas, totalizando mais de dois mil profissionais. “Somente um profissional bem preparado consegue questionar os sinais e sintomas e dar o andamento necessário à celeridade do diagnóstico. Nos municípios onde as equipes foram capacitadas, nós conseguimos aumentar a suspeita clínica em 27%.”, relata a coordenadora do Centro de Estudos, Dra. Eliana Cavacami.

Para capacitar os profissionais, a Fundação Sara atua em três categorias, inteiramente gratuitas:

• Programa Diagnóstico Precoce – uma parceria da Fundação Sara, municípios e Instituto Ronald McDonald, que consiste em uma série de aulas ministradas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais em três encontros, totalizando 20 horas. As aulas podem acontecer no município ou no auditório da Fundação Sara, em Montes Claros;

• Programa Sinais e Sintomas – consiste em um treinamento com carga horária reduzida para profissionais da saúde e acontece nas próprias unidades da Estratégia Saúde da Família.

•  Grupos de estudos – capacitação para acadêmicos dos cursos da saúde.

• Circuito de Oncologia Pediátrica – COPE – promove palestras para públicos diversos, como pais, professores, acadêmicos e profissionais da saúde em geral.

Você pode ajudar a disseminar o conhecimento sobre o câncer infantojuvenil por meio Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação Sara. Basta entrar em contato com a Fundação Sara pelo telefone (38) 3214-5500 ou pelo e-mail conhecimentoesaude@fundacaosara.org.br.

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Data da publicação 19 de novembro de 2015

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